As forças nas âncoras, incluindo as forças de alavanca, são determinadas por análise de elementos finitos, mas as resistências são verificadas utilizando as disposições normativas da A23.3 - Anexo D.
As varões de ancoragem são dimensionados de acordo com a A23.3-14 – Anexo D. As seguintes resistências dos parafusos de ancoragem são avaliadas:
- Resistência do aço da âncora à tração Nsar,
- Resistência ao arrancamento do betão à tração Ncbr,
- Resistência ao arranque do betão Npr,
- Resistência ao arrancamento lateral do betão Nsbr,
- Resistência do aço da âncora ao corte Vsar,
- Resistência ao arrancamento do betão ao corte Vcbr,
- Resistência ao arrancamento por alavanca da âncora ao corte Vcpr.
A condição do betão pode ser escolhida pelo utilizador como fissurado ou não fissurado. O tipo de âncoras (embebidas com cabeça circular ou retangular com anilhas, âncoras retas) é selecionado pelo utilizador; a resistência ao arranque e a resistência ao arrancamento lateral são verificadas no software apenas para âncoras com cabeça.
As seguintes verificações de âncoras carregadas à tração não são fornecidas e devem ser verificadas utilizando as informações constantes da Especificação Técnica do Produto relevante (com base no fractil de 5% dos ensaios):
- Rotura por arranque do fixador (para âncoras mecânicas pós-instaladas) – CSA A23.3-14: D.6.3,
- Resistência de aderência de âncora adesiva (para âncoras adesivas pós-instaladas) – CSA A23.3-14: D.6.5.
As âncoras devem satisfazer as distâncias às arestas, os espaçamentos e as espessuras necessários para evitar a rotura por fendilhação, conforme exigido pela CSA A23.3-14: D.9.
Resistência do aço da âncora à tração
A resistência do aço da âncora à tração é determinada de acordo com a CSA A23.3-14 – D.6.1 como
Nsar = Ase,N ϕs futa R
onde:
- ϕs = 0,85 – fator de resistência do material de embebimento de aço para armadura
- Ase,N – área da secção transversal efetiva de uma âncora à tração
- futa ≤ min (860 MPa, 1,9 fya) – resistência à tração especificada do aço da âncora
- fya – tensão de cedência especificada do aço da âncora
- R = 0,8 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3.-14 – D.5.3
Resistência ao arrancamento do betão da âncora à tração
A resistência ao arrancamento do betão é dimensionada de acordo com o Concrete Capacity Design (CCD) na CSA A23.3-14 – D.6.2. No método CCD, o cone de betão é considerado formado com um ângulo de aproximadamente 34° (inclinação de 1 vertical para 1,5 horizontal). Por simplificação, o cone é considerado quadrado em planta em vez de circular. A tensão de arrancamento do betão no método CCD é considerada como decrescente com o aumento da dimensão da superfície de arrancamento.
onde:
- ANc – área do cone de arrancamento do betão para um grupo de âncoras carregadas à tração que formam um cone de betão comum
- ANco = 9 hef2 – área do cone de arrancamento do betão para uma âncora isolada não influenciada pelas arestas do betão
- – fator de modificação para a distância à aresta
- ca,min – a menor distância da âncora à aresta
- hef – profundidade de embebimento; de acordo com a A23.3-14 – D.6.2.3, a profundidade de embebimento efetiva hef é reduzida para se as âncoras estiverem localizadas a menos de 1,5 hef de três ou mais arestas
- – fator de modificação para grupo de âncoras com carga excêntrica
- e'N – excentricidade da força de tração em relação ao centro de gravidade das âncoras carregadas à tração que formam um cone de betão comum
- Ψc,N – fator de modificação para as condições do betão; Ψc,N = 1 para betão fissurado, Ψc,N = 1,25 para betão não fissurado
- – resistência básica ao arrancamento do betão de uma âncora isolada à tração em betão fissurado; para âncoras embebidas com cabeça e 275 mm ≤ hef ≤ 625 mm,
- ϕc=0,65 – fator de resistência do betão
- kc=10 para âncoras embebidas
- s – espaçamento entre âncoras
- ca,max – distância máxima de uma âncora a uma das três arestas próximas
- λa = 1 – fator de modificação para betão leve
- f'c – resistência à compressão do betão [MPa]
- R = 1 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3 – D.5.3
De acordo com a A23.3-14 – D.6.2.8, no caso de âncoras com cabeça, a área da superfície projetada ANc é determinada a partir do perímetro efetivo da placa de anilha, que é o menor valor entre da + 2 twp ou dwp, onde:
- da – diâmetro da âncora
- dwp – diâmetro ou dimensão da aresta da placa de anilha
- twp – espessura da placa de anilha
O grupo de âncoras é verificado em relação à soma das forças de tração nas âncoras carregadas à tração que formam um cone de betão comum.
A área do cone de arrancamento do betão para o grupo de âncoras carregadas à tração que formam um cone de betão comum, Ac,N, é indicada pela linha tracejada a vermelho.

De acordo com a CSA A23.3-14 – D.6.2.9, quando a armadura de ancoragem é desenvolvida de acordo com a Cláusula 12 da A23.3-14 em ambos os lados da superfície de arrancamento, presume-se que a armadura de ancoragem transfere as forças de tração, e a resistência ao arrancamento do betão não é avaliada (pode ser definido na configuração normativa).
Resistência ao arranque do betão da âncora à tração
A resistência ao arranque do betão de uma âncora com cabeça é definida na CSA A23.3-14 – D.6.3 como
Ncpr = Ψc,P Npr
onde:
- Ψc,P – fator de modificação para a condição do betão; Ψc,P = 1,0 para betão fissurado, Ψc,P = 1,4 para betão não fissurado
- Npr = 8 Abrg ϕc f'c R para âncora com cabeça
- Abrg – área de apoio da cabeça do pino com cabeça ou parafuso de ancoragem
- ϕc = 0,65 – fator de resistência do betão
- da – diâmetro da âncora
- f'c – resistência à compressão do betão
- R = 1 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3 – D.5.3
A resistência ao arranque do betão para outros tipos de âncoras que não as de cabeça não é avaliada no software e deve ser especificada pelo fabricante.
Resistência ao arrancamento lateral do betão
A resistência ao arrancamento lateral do betão de uma âncora com cabeça à tração é definida na CSA A23.3-14 – D.6.4 como:
Se ca2 para a âncora isolada carregada à tração for inferior a 3 ca1, o valor de Nsbr é multiplicado pelo fator 0,5 ≤ (1+ ca2 / ca1) / 4 ≤ 1.
D.6.4.2 exige que um grupo de âncoras com cabeça com embebimento profundo próximo de uma aresta (hef > 2,5 ca1) e espaçamento entre âncoras inferior a 6 ca1 tenha a resistência:
Apenas um fator de redução é aplicado de cada vez.
O IDEA StatiCa verifica sempre cada âncora independentemente para a resistência ao arrancamento lateral e, portanto, não é assumido nenhum grupo de duas âncoras, sendo antes o fator de redução dividido por dois. Isto fornece o mesmo resultado se as forças de tração em cada âncora forem iguais e uma hipótese conservadora se as forças diferirem. O fator de redução utilizado no IDEA StatiCa é:
onde:
- ca1 – a menor distância de uma âncora a uma aresta
- ca2 – a maior distância, perpendicular a ca1, de uma âncora a uma aresta
- Abrg – área de apoio da cabeça do pino com cabeça ou parafuso de ancoragem
- ϕc – fator de resistência do betão editável na configuração normativa
- f'c – resistência à compressão do betão
- hef – profundidade de embebimento; de acordo com a A23.3-14 – D.6.2.3, a profundidade de embebimento efetiva hef é reduzida para se as âncoras estiverem localizadas a menos de 1,5 hef de três ou mais arestas
- s – espaçamento entre âncoras
- R = 1 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3 – D.5.3
Resistência do aço da âncora ao corte
A resistência do aço ao corte é determinada de acordo com a A23.3 – D.7.1 como
Vsar = Ase,V ϕs 0,6 futa R
onde:
- ϕs = 0,85 – fator de resistência do material de embebimento de aço para armadura
- Ase,V – área da secção transversal efetiva de uma âncora ao corte
- futa – resistência à tração especificada do aço da âncora, não superior ao menor valor entre 1,9 fya ou 860 MPa
- R = 0,75 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3 – D.5.3
Se for selecionada junta de argamassa, a resistência do aço ao corte Vsa é multiplicada por 0,8 (A23.3 –D.7.1.3).
O corte com braço de alavanca, que ocorre no caso de placa de base com furos sobredimensionados e anilhas ou placas adicionadas ao topo da placa de base para transmitir a força de corte, não é considerado.
Resistência ao arrancamento do betão da âncora ao corte
A resistência ao arrancamento do betão de uma âncora ao corte é dimensionada de acordo com a A23.3 –D.7.2. Assume-se que a força de corte que atua numa placa de base é transferida pelas âncoras mais próximas da aresta na direção da força de corte. A direção da força de corte em relação à aresta do betão afeta a resistência ao arrancamento do betão de acordo com o FIB Bulletin 58 – Design of anchorages in concrete – Guide to good practice (2011). Se os cones de betão das âncoras se sobrepuserem, formam um cone de betão comum. A excentricidade ao corte é também tida em conta.
onde:
- AVc – área projetada de rotura do betão de uma âncora ou grupo de âncoras dividida pelo número de âncoras nesse grupo
- AVco = 4,5 ca12 – área projetada de rotura do betão de uma âncora quando não limitada por influências de canto, espaçamento ou espessura do elemento
- – fator de modificação para grupo de âncoras carregadas excentricamente ao corte
- – fator de modificação para efeito de aresta
- Ψc,V – fator de modificação para a condição do betão; Ψc,V = 1,0 para betão fissurado, Ψc,V = 1,4 para betão não fissurado
- – fator de modificação para âncoras localizadas num elemento de betão onde ha < 1,5 ca1
- – fator de modificação para âncoras carregadas com um ângulo em relação à aresta do betão (FIB Bulletin 58 – Design of anchorages in concrete – Guide to good practice, 2011)
- ha – altura da superfície de rotura no lado do betão
- le = hef ≤ 8 da – comprimento resistente da âncora ao corte
- da – diâmetro da âncora
- f'c – resistência à compressão do betão
- ca1 – distância à aresta na direção da carga; de acordo com a Cl. 17.5.2.4, para um elemento estreito, c2,max < 1,5 c1 que também é considerado delgado, ha < 1,5 c1, utiliza-se c'1 nas equações anteriores em vez de c1; o valor reduzido c'1 = max (c2,max / 1,5, ha / 1,5, sc,max / 3)
- ca2 – distância à aresta na direção perpendicular à carga
- c2,max – maior distância à aresta na direção perpendicular à carga
- sc,max – espaçamento máximo perpendicular à direção do corte, entre âncoras dentro de um grupo
- ϕc = 0,65 – fator de resistência do betão
- R = 1 – fator de modificação de resistência conforme especificado na CSA A23.3 – D.5.3
Se ambas as distâncias às arestas ca2 ≤ 1,5ca1 e ha ≤ 1,5 ca1, , onde s é o espaçamento máximo perpendicular à direção do corte, entre âncoras dentro de um grupo.
De acordo com a A23.3-14 – D.7.2.9, quando a armadura de ancoragem é desenvolvida de acordo com a A23.3-14 – Cláusula 12 em ambos os lados da superfície de arrancamento, presume-se que a armadura de ancoragem transfere as forças de corte e a resistência ao arrancamento do betão não é avaliada.
Resistência ao arrancamento por alavanca da âncora ao corte
A resistência ao arrancamento por alavanca do betão é dimensionada de acordo com a A23.3 – D.7.3.
Vcpr = kcp Ncpr
onde:
- kcp = 1,0 para hef < 65 mm, kcp = 2,0 para hef ≥ 65 mm
- Ncpr – resistência ao arrancamento do betão – todas as âncoras são consideradas à tração
De acordo com a CSA A23.3-14 – D.6.2.9, quando a armadura de ancoragem é desenvolvida de acordo com a Cláusula 12 da A23.3-14 em ambos os lados da superfície de arrancamento, presume-se que a armadura de ancoragem transfere as forças de tração e a resistência ao arrancamento do betão não é avaliada (pode ser definido na configuração normativa).
Interação de forças de tração e corte
A interação de forças de tração e corte é avaliada de acordo com a A23.3 – Figura D.18.
onde:
- Nf e Vf – forças de cálculo que atuam numa âncora
- Nr e Vr – as menores resistências de cálculo determinadas a partir de todos os modos de rotura adequados
Âncoras com extensão livre
A âncora com extensão livre é dimensionada como um elemento de barra carregado por força de corte, momento fletor e força de compressão ou tração. Estes esforços internos são determinados pelo modelo de elementos finitos. A âncora é fixada em ambos os lados, um lado a 0,5×d abaixo do nível do betão e o outro lado a meio da espessura da placa. O comprimento de encurvadura é conservadoramente assumido como o dobro do comprimento do elemento de barra. É utilizado o módulo plástico de secção. O elemento de barra é dimensionado de acordo com a S16-14. A interação da força de corte é desprezada porque o comprimento mínimo da âncora para encaixar a porca sob a placa de base garante que a âncora rompe por flexão antes de a força de corte atingir metade da resistência ao corte, sendo a interação ao corte desprezável (até 7%). A interação do momento fletor com a força de compressão ou tração é conservadoramente assumida como linear. Os efeitos de segunda ordem não são tidos em conta.
Resistência ao corte (CSA S16-14 – 13.4.4):
Vr = ϕ ∙ 0,66 ∙ Av ∙ Fy
- Av = 0,844 ∙ As – a área de corte
- As – a área do parafuso reduzida pelas roscas
- Fy – tensão de cedência do parafuso
- ϕ – o fator de resistência, o valor recomendado é 0,9
Resistência à tração (CSA S16-14 – 13.2)
Tr = ϕ ∙ As ∙ Fy
Resistência à compressão (CSA S16-14 – 13.3.1)
- – esbelteza do parafuso de ancoragem
- – tensão de encurvadura elástica
- KL = 2 ∙ l – comprimento de encurvadura
- l – comprimento do elemento de parafuso igual a metade da espessura da placa de base + folga + metade do diâmetro do parafuso
- – raio de giração do parafuso de ancoragem
- – momento de inércia do parafuso
- n = 1,34 – parâmetro para a resistência à compressão
Resistência à flexão (CSA S16-14 – 13.5):
Mr = ϕ ∙ Z ∙ Fy
Z = ds3 / 6 – módulo plástico de secção do parafuso
Interação linear:
... para força normal de compressão
... para força normal de tração
- N – força fatorada de tração (positiva) ou de compressão (sinal negativo)
- Cr – resistência fatorada à compressão (sinal negativo)
- Tr – resistência fatorada à tração (sinal positivo)
- M – momento fletor fatorado
- Mr – resistência fatorada ao momento
Pormenorização
O espaçamento entre âncoras deve ser superior a quatro vezes o diâmetro da âncora de acordo com a A23.3-14 – D.9.2.
As distâncias às arestas da chapa de aço seguem as regras dos parafusos, ou seja, de acordo com a S16-14 – 22.3, é verificada a distância mínima à aresta (1,25 d – editável na configuração normativa).
